Passageiros reclamam do congestionamento e escassez do transporte público na Praia sentido com maior intensidade na época festiva

Como alternativa, várias pessoas admitem que têm recorrido ao serviço de táxis clandestinos de modo a chegarem nos respectivos locais de trabalho e outros compromissos atempadamente.

Durante a época festiva de dezembro, nota-se um aumento significativo de atividades sociais, laborais, comerciais e familiares, levando com que as pessoas se desloquem com maior frequência entre as diferentes localidades.
Ao longo das ruas da cidade da Praia é visível o número de passageiros que se juntam nas principais paragens de autocarro, nos diferentes bairros da capital, principalmente nas horas de maior movimento.
Em entrevista ao Balai, vários cidadãos criticam a resposta da única empresa de transportes públicos na capital, Sol Atlântico, principalmente nesta época, e queixam-se da escassez de autocarros, bem como de transportes alternativos como táxis.
Estilo Balai
Inclusive, todos os entrevistados admitem recorrer ao serviço de táxis clandestinos de modo a chegarem aos respectivos compromissos atempadamente.
É o caso da jovem Carla Silva, residente em Achada Limpo que diz estar descontente em relação ao serviço do autocarro da Linha 16, que faz trajetória Plateau – Achada Limpo.
A jovem descreve o mês de dezembro como “um período bastante difícil em termos da mobilidade dos transportes públicos”.
“No período de manhã, os autocarros permanecem sempre atrasados”, lamenta e explica que isso “dificulta aqueles que estão a ir para o trabalho”.
A cidadã deixa também críticas em relação ao trabalho dos condutores da Sol Atlântico. “Quando os autocarros chegam às paragens, há condutores que dizem que estão no horário do pequeno-almoço e demoram quase uma hora a comer”.
“Tenho que estar no trabalho às 10h00 e chego atrasada, mesmo que saía de casa às 08h30, é impossível chegar cedo.”
Mesmo com o passe mensal carregado, não consegue usufruir do serviço e tem de recorrer a táxis. A jovem admite que as pessoas recorrem aos táxis clandestinos (clãs) apesar destes praticarem preços exagerados, em relação aos táxis.
A cidadã defende que a empresa Sol Atlântico deveria resolver a situação, com mais autocarros e tentar criar um serviço de alerta com os horários de cada rota para que os passageiros não fiquem à espera por muito tempo.

Para o munícipe António Vicente, residente da localidade de Ponta d’Água, “a situação está péssima”, precisamente pela quantidade de pessoas que têm de apanhar o autocarro da linha 5, “um problema que acontece todos os dias no período da manhã e à tarde no horário das 18h00.”
O excesso de passageiros aliado à escassez de viaturas está a afetar o seu dia a dia, inclusive o trabalho, já que é gerente de uma loja. “Se eu não me levantar mais cedo para encontrar formas de apanhar o autocarro, tenho que recorrer ao “clã”, que é um meio de transporte ilegal,” lamenta e sugere que “se deveria dar oportunidade aos táxis clandestinos e hiaces de modo a garantirem uma alternativa de transporte (legal)”.
A estudante universitária Mayara Semedo também demonstrou o seu descontentamento com o trabalho de condutores, mas da linha 11 que percorre as vias entre o Plateau e Achada São Filipe.
Segundo a jovem, “os autocarros demoram a chegar e quando chegam estão lotados e nem param nas paragens” e que há passageiros que ficam à espera de autocarros por quase uma hora ou mais.
A estudante relata que na maioria das vezes os taxistas nem respondem aos pedidos dos clientes e que são os “hiaces que acabam por fazer o trabalho de transporte ao público (…) quando as pessoas estão à espera para regressarem para as diferentes localidades.”
“Quase todos os dias chego atrasada na universidade entre 40 minutos a um hora de atraso”, lamenta e deixa o apelo “para que os autocarros funcionem melhor e cheguem no horário estipulado.”
Para Déricles Rodrigues, também da localidade de Achada Limpo, “a situação dos autocarros é cansativa e é um assunto que necessita de melhorias urgentes.”
Em entrevista, o jovem afirma que tem estado a “tentar levantar-se mais cedo para ir ao trabalho”, mas que as longas esperas pelos autocarros e problemas no trânsito têm levado a atrasos.
“Com o aumento de veículos nas estradas, a pessoa acaba por chegar atrasada no trabalho e às vezes os chefes não entendem. Depois de sair do trabalho para regressar à casa, é o mesmo problema.”
Em relação aos táxis, também reconhece que são poucos e que recorre aos “clãs” para driblar os problemas de transportes.
Para a praiense Analina Querido, residente na localidade de Fazenda, a situação dos transportes, tanto dos autocarros como dos táxis, é um problema que afecta a todos e é recorrente na cidade da Praia.
Nesta época de Natal, apesar de haver muito movimento e um clima festivo no ar, a cidadã diz que “é um momento horrível nos transportes públicos”, lembrando que as pessoas precisam dos transportes públicos para realizar tarefas do dia a dia.
Nádia Pires/Jornalista Estagiária
O Balai entrou em contacto com a empresa Sol Atlântico, mas até ao fecho desta reportagem não foi possível obter uma reação. Caso haja feedback da empresa, iremos publicar a mesma em tempo oportuno


